Introdução
Se você está pesquisando sobre cirurgia de silicone, provavelmente já se deparou com a dúvida: colocar a prótese por cima ou por baixo do músculo? Essa é uma das decisões mais importantes no planejamento da cirurgia — e também uma das mais mal compreendidas.
A resposta não é única. Cada técnica tem indicações específicas, vantagens e limitações. Além disso, é importante entender que, hoje, quando falamos em “prótese por baixo do músculo”, na maioria das vezes estamos nos referindo a uma técnica moderna chamada dual plane — já que a colocação totalmente atrás do músculo (submuscular total) tem pouca indicação atualmente.
Neste artigo, você vai entender de forma clara como funciona cada opção, para quem elas são indicadas e como essa escolha influencia no resultado final.
O que é o procedimento
A cirurgia de colocação de prótese de silicone, chamada de mamoplastia de aumento, consiste na inserção de implantes mamários para aumentar o volume e melhorar o formato das mamas.
Um dos pontos mais importantes dessa cirurgia é o plano de posicionamento da prótese, ou seja, onde o implante será colocado:
- Por cima do músculo (subglandular): entre a glândula mamária e o músculo peitoral
- Dual plane (parcialmente sob o músculo): a parte superior da prótese fica sob o músculo e a parte inferior sob a glândula
A técnica submuscular total (totalmente atrás do músculo) é pouco utilizada atualmente, ficando restrita a situações muito específicas.
Nenhuma dessas opções é melhor para todas as pacientes — a escolha depende da anatomia e do objetivo de cada caso.
Para quem é indicado
A escolha entre prótese por cima ou por baixo do músculo depende de fatores individuais. Não existe uma técnica ideal para 100% das pacientes.
Em geral, a prótese por cima do músculo (subglandular) é mais indicada para:
- Pacientes com boa quantidade de tecido mamário
- Pele com qualidade adequada (boa sustentação)
- Quem busca um resultado mais natural
- Pacientes que desejam uma recuperação mais confortável
Já a técnica dual plane (parcialmente sob o músculo) costuma ser indicada para:
- Pacientes com pouco tecido mamário
- Casos em que é necessário melhorar a cobertura da prótese
- Situações em que o músculo ajuda na sustentação do implante
Na prática, sempre que possível, minha preferência costuma ser pela colocação à frente do músculo, por ser menos invasiva e preservar o músculo peitoral.
O uso do músculo é indicado quando realmente precisamos dele para colaborar no resultado, pela condição clínica da paciente ou sua expectativa de resultado.
Como é realizada a cirurgia
A cirurgia é feita em ambiente hospitalar, com anestesia local e sedação ou anestesia geral.
Após a incisão (geralmente no sulco mamário ou aréola), é criado um espaço para acomodar a prótese.
A diferença entre as técnicas está nesse momento:
- Subglandular (por cima do músculo): o implante é colocado diretamente atrás da glândula mamária
- Dual plane (parcialmente sob o músculo): 2/3 superior do implante fica sob o músculo, exigindo liberação parcial do músculo peitoral
Por esse motivo, a técnica dual plane é mais invasiva do que a subglandular, pois envolve manipulação muscular. O tempo cirúrgico costuma variar entre 1 e 2 horas.
Recuperação e cuidados
A recuperação varia conforme a técnica utilizada.
Prótese por cima do músculo:
- Pós-operatório geralmente mais confortável
- Menor dor nos primeiros dias
- Retorno mais rápido às atividades
Técnica dual plane:
- Pode haver mais desconforto inicial
- Sensação de pressão ao movimentar os braços
- Recuperação um pouco mais lenta
Independentemente da técnica, os cuidados incluem:
- Uso de sutiã cirúrgico
- Evitar esforço físico
- Dormir de barriga para cima
- Seguir rigorosamente as orientações médicas
O retorno ao trabalho costuma ocorrer entre 1 a 10 dias, e aos exercícios físicos após cerca de 20 dias.
Resultados esperados
O plano de colocação da prótese influencia diretamente no resultado estético.
Prótese por cima do músculo (subglandular):
- Resultado geralmente mais natural
- Mama com aspecto mais “solto”
- Próteses tendem a ficar em posição mais baixa e anatômica
Técnica dual plane:
- Melhor cobertura da prótese na parte superior
- Pode oferecer mais sustentação em alguns casos
- Em alguns perfis de paciente, pode deixar o colo mais marcado
De forma geral, sempre que há boa indicação, a colocação por cima do músculo tende a proporcionar um resultado mais natural. No entanto, quando há pouca cobertura de tecido, o uso parcial do músculo pode ser essencial para alcançar um bom resultado.
Riscos e limitações
Como toda cirurgia, a mamoplastia de aumento apresenta riscos, independentemente da técnica escolhida.
Entre eles:
- Infecção
- Hematoma
- Contratura capsular
- Assimetrias
- Necessidade de revisão cirúrgica
Além disso, cada plano tem suas limitações:
- Subglandular: pode não ser ideal em pacientes muito magras, pela menor cobertura da prótese
- Dual plane: cirurgia mais invasiva que a subglandular, com recuperação um pouco mais desconfortável
A técnica submuscular total, por sua vez, tem hoje indicações bastante restritas e raramente é necessária na prática atual.
Por isso, a escolha deve sempre ser baseada em uma avaliação médica cuidadosa.
Dúvidas frequentes (FAQ)
1. Qual técnica é melhor: por cima ou por baixo do músculo?
Nenhuma é melhor em todos os casos. A escolha depende da anatomia da paciente e do resultado desejado.
2. Ainda se usa prótese totalmente atrás do músculo?
Hoje em dia, essa técnica tem pouca indicação. Na maioria dos casos, quando usamos o músculo, optamos pela técnica dual plane.
3. Colocar por baixo do músculo deixa o resultado mais natural?
Nem sempre. Em muitos casos, a prótese por cima do músculo proporciona um resultado mais natural, quando bem indicada.
4. Existe mais dor em alguma técnica?
Sim. Técnicas que envolvem o músculo, como o dual plane, costumam gerar mais desconforto inicial.
5. Posso escolher a técnica sozinha?
A decisão é compartilhada, mas deve ser orientada pelo cirurgião, que avalia fatores técnicos importantes.
Conclusão
A escolha entre prótese de silicone por cima ou por baixo do músculo é uma decisão técnica e individualizada. Hoje, na prática moderna, quando falamos em “por baixo do músculo”, geralmente estamos nos referindo à técnica dual plane, já que a colocação totalmente submuscular tem uso limitado.
Sempre que possível, a colocação por cima do músculo pode ser uma excelente alternativa por ser menos invasiva e preservar o músculo peitoral. No entanto, em alguns casos, o uso parcial do músculo é fundamental para garantir sustentação e um resultado equilibrado.
Se você está considerando colocar silicone, o mais importante é passar por uma avaliação com um cirurgião plástico qualificado. É nesse momento que todas as variáveis são analisadas para definir a técnica mais segura e adequada para o seu caso.
Nota: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui uma avaliação médica individual realizada por um cirurgião plástico qualificado.
Dr. Flávio Stillitano
Mestrado em Cirurgia | Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
CRM-SP 106.508 | RQE 28.414


