Introdução
A cirurgia de silicone nos seios é, há décadas, um dos procedimentos mais realizados no mundo — e também um dos que mais geram dúvidas. Muitas pacientes chegam ao consultório querendo melhorar o volume das mamas, corrigir assimetrias ou recuperar a forma após gestação e amamentação, mas nem sempre sabem exatamente o que o procedimento envolve.
Neste artigo, você vai entender de forma clara e objetiva como funciona a colocação de prótese de silicone, quais são suas indicações, como é a recuperação e quais resultados esperar. Também vamos esclarecer dúvidas comuns — incluindo temas importantes como segurança dos implantes, “doença do silicone” e a diferença entre a cirurgia de colocação de prótese e mastopexia.
O que é o procedimento
A cirurgia de silicone nos seios, tecnicamente chamada de mamoplastia de aumento, consiste na colocação de implantes de silicone para aumentar o volume e melhorar o formato das mamas.
Esses implantes são compostos por um gel de silicone altamente coeso, envolto por uma cápsula resistente. Eles são projetados para oferecer um resultado mais firme, tanto na aparência quanto ao toque.
É importante destacar que existem dois cenários distintos, que geram confusão:
Prótese de silicone (aumento mamário)
Indicada quando a paciente deseja aumentar o volume das mamas ou melhorar o contorno.
Mastopexia com prótese
Indicada quando há flacidez e queda das mamas (ptose), sendo necessário retirar excesso de pele e reposicionar a mama — muitas vezes associando a prótese.
Apesar de ambas utilizarem silicone, são cirurgias completamente diferentes em objetivo, técnica e cicatrizes.
Para quem é indicado
A colocação de silicone nos seios pode ser indicada para mulheres que:
- Desejam aumentar o volume mamário
- Apresentam mamas naturalmente pequenas
- Têm assimetria entre as mamas
- Buscam melhorar o contorno corporal
Já a mastopexia com prótese é mais indicada para pacientes que:
- Percebem as mamas “caídas”
- Têm excesso de pele
- Notam que o mamilo está em posição baixa
- Perderam volume e ganharam flacidez após gravidez ou emagrecimento
A avaliação do cirurgião plástico é essencial para definir qual abordagem é mais adequada para o seu caso.
Como é realizada a cirurgia
A cirurgia é realizada em ambiente hospitalar, com anestesia (geral ou local com sedação, dependendo do caso).
Etapas principais:
- Planejamento pré-operatório
O cirurgião define junto com a paciente o tamanho, formato e perfil da prótese, considerando proporções corporais e expectativa de resultado. - Incisão (corte cirúrgico)
Pode ser feita em diferentes locais:- Sulco inframamário (abaixo da mama)
- Periareolar (ao redor do mamilo)
- Axilar (em casos específicos)
- Posicionamento da prótese
O implante pode ser colocado:- Abaixo da glândula mamária
- Abaixo do músculo peitoral
- Em plano híbrido (dual plane)
- Fechamento e curativo
A cirurgia é finalizada com suturas internas e externas, geralmente com pontos absorvíveis.
O procedimento costuma durar entre 1 e 2 horas, e na maioria dos casos a paciente recebe alta no mesmo dia.
Recuperação e cuidados
O pós-operatório da cirurgia de silicone costuma ser bem tolerado, mas exige alguns cuidados importantes.
Primeiros dias:
- Sensação de pressão ou desconforto leve a moderado
- Uso de analgésicos prescritos
- Necessidade de repouso relativo
Primeiras semanas:
- Uso contínuo de sutiã cirúrgico
- Evitar carregar peso
- Dormir de barriga para cima
Retorno às atividades:
- Trabalho leve: cerca de 5 dias
- Exercícios físicos: geralmente após 30 dias (com liberação médica)
O acompanhamento com o cirurgião é fundamental para garantir uma recuperação segura e adequada.
Resultados esperados
Os resultados da cirurgia de silicone são, em geral, altamente satisfatórios. Estudos mostram índices de satisfação superiores a 90% entre as pacientes, especialmente quando há um bom alinhamento entre expectativa e resultado.
A paciente pode esperar:
- Aumento do volume das mamas
- Melhora no contorno corporal
- Maior harmonia entre tórax e quadris
- Impacto positivo na autoestima
É importante lembrar que o resultado final não é imediato. Nas primeiras semanas, pode haver inchaço e a mama pode parecer mais alta ou rígida. O aspecto mais natural costuma surgir ao longo de alguns meses.
Riscos e limitações
Como qualquer procedimento cirúrgico, a colocação de silicone envolve riscos — embora sejam baixos quando realizada por um profissional qualificado.
Possíveis riscos incluem:
- Infecção
- Hematoma
- Alterações de sensibilidade
- Contratura capsular (endurecimento ao redor da prótese)
- Necessidade de reoperação ao longo da vida
Além disso, é importante entender que:
- As próteses não são dispositivos “para a vida toda”
- Podem necessitar troca após alguns anos, dependendo do caso
- O envelhecimento natural do corpo continua acontecendo
A avaliação individualizada é essencial para reduzir riscos e alinhar expectativas.
Segurança do silicone: o que diz a ciência
A segurança dos implantes de silicone é uma das maiores preocupações das pacientes — e também uma das mais estudadas na medicina.
Atualmente, os implantes modernos são considerados seguros e aprovados por órgãos regulatórios internacionais. O gel de silicone utilizado é coeso, o que significa que, mesmo em caso de ruptura, não se espalha pelo organismo.
Silicone causa câncer de mama?
NÃO.
Diversos estudos científicos demonstram que não há relação entre próteses de silicone e o câncer de mama (adenocarcinoma mamário).
Além disso, exames como mamografia e ultrassonografia podem ser realizados normalmente em pacientes com prótese, com técnicas adequadas.
Existe risco de linfoma relacionado ao silicone?
Essa é uma dúvida importante — e que merece ser esclarecida com tranquilidade.
Existe uma condição rara chamada linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário (BIA-ALCL). É fundamental entender alguns pontos:
- É extremamente raro: a incidência estimada varia entre cerca de 1 caso a cada 10.000 a 30.000 pacientes com próteses texturizadas
- Está relacionado a tipos específicos de implante: próteses com superfície texturizada; nos implantes lisos, é mais raro ainda
- Não é câncer de mama: trata-se de um linfoma (neoplasia do sistema imunológico), completamente diferente do câncer de mama tradicional
- Tem tratamento e alto índice de cura: quando diagnosticado precocemente, o tratamento costuma envolver a retirada da prótese e da cápsula ao redor, com excelente taxa de sucesso
Na maioria dos casos, os sinais são perceptíveis, como aumento de volume da mama anos após a cirurgia (geralmente por acúmulo de líquido), o que facilita a investigação.
Em resumo: embora essa condição exista, ela é rara, bem conhecida pela medicina e, na maioria das vezes, tratável com sucesso.
Existe a “doença do silicone”?
Esse é um tema que gera muita discussão e fake news, principalmente na internet.
Algumas pessoas relatam sintomas inespecíficos, como cansaço, dores no corpo ou dificuldade de concentração, que atribuem ao uso de próteses.
No entanto, até o momento, não há evidência científica consistente que comprove a existência de uma doença sistêmica causada pelo silicone.
Isso reforça a importância da avaliação médica cuidadosa, individualizada e baseada em evidências.
Dúvidas frequentes (FAQ)
1. Qual é o tamanho ideal da prótese?
Não existe um tamanho “ideal” universal. A escolha depende da estrutura corporal, largura do tórax, quantidade de tecido mamário e expectativa da paciente.
2. A prótese precisa ser trocada depois de alguns anos?
Nem sempre. As próteses atuais são bastante duráveis. A troca só é necessária em caso de complicações ou alterações ao longo do tempo.
3. Vou perder a sensibilidade nos seios?
Na maioria dos casos, não. Pode haver alteração temporária na sensibilidade, que costuma se normalizar com o tempo.
4. Posso amamentar após colocar silicone?
Sim, na maioria dos casos. A técnica cirúrgica preserva a glândula mamária, permitindo a amamentação.
5. A cicatriz fica visível?
As cicatrizes são posicionadas estrategicamente e tendem a ficar discretas com o tempo. A qualidade da cicatrização varia de pessoa para pessoa, e do cuidado no pós-operatório.
Conclusão
A cirurgia de silicone nos seios é um procedimento seguro, amplamente estudado e com alto índice de satisfação entre as pacientes. Quando bem indicada e realizada com planejamento adequado, pode trazer resultados naturais e um impacto significativo na autoestima.
No entanto, é fundamental entender que cada caso é único. A escolha entre prótese simples ou mastopexia com prótese, o tamanho do implante e a técnica utilizada devem ser definidos em conjunto com um cirurgião plástico qualificado.
Se você está considerando realizar essa cirurgia, o próximo passo é buscar uma avaliação especializada. A consulta com o cirurgião é o momento ideal para esclarecer dúvidas, alinhar expectativas e tomar uma decisão segura e consciente.
Nota: Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Ele não substitui uma avaliação médica individual realizada por um cirurgião plástico qualificado.
Dr. Flávio Stillitano
Mestrado em Cirurgia | Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
CRM-SP 106.508 | RQE 28.414


